domingo, 6 de fevereiro de 2011

Frases soltas (Reflexões conexas)

(Bem, resolvi voltar à tona um post meu do Rosa Carne, um projecto que não deu certo, acho que por falta de condições mesmo (vocês não sabem o inferno que é manter um blog só tendo acesso aos computadores do laboratório de uma universidade). Achei-o mais actual do que nunca, apesar de falar de uma obra que já foi concuída e, provavelmente, as frases soltas que eu citei já se apagaram há muito)


Eu estava reparando, nesta grande obra que é a duplicação da Avenida Antônio Carlos, todo dia eu reparo em alguma mudança, alguma obra já pronta, ou que está sendo construida, como o trânsito flui depois de certo ponto, enfim, as pequenas mudanças quotidianas de cada dia. Mas não deixei de reparar a forma invasiva como esta obra (que na verdade é um conjunto de obras) se está dando, invasiva, porque me parece que expõe certos espaços, como se quisesse engoli-los. Na verdade tudo, o marketing, a forma faraônica como se constrói, sem diálogo com a sociedade, tudo isso é invasivo. E eu percebo um pouco dessa invasão através das frases soltas deixadas pelos artistas de rua, sempre ou quase sempre invisíveis aos olhos do senso comum:

"O vento sopra, os obstáculos fazem a música"
"O asfalto me atropela"
"Se essa rua, se essa rua fosse minha, se essa rua, se essa rua fosse casa..."
"Comunidade sem unidade"
"Aqui, neste momento, eu pego o pincel e lanço uma poesia na sua testa!"
"A passos pássaros passo"

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