quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Elegia

O céu enegrecido chorou
enquanto alimentava a terra sedenta de vida
o ar se encheu duma alegria profana que se revelava
com as folhas secas e os galhos partidos que o vento levava
para o além, ou aonde mais fosse uma imagem fluida.

Das nuvens,
(por um instante pensei que me chamavam)
as partículas ionizadas que se encontraram
exprimiram-me toda a fúria de um raio,
a descer tão rápido à terra rasgada em seu cio.

"É a chuva que faz parte de mim,
ou já sou eu parte da chuva?"
minha respiração parou por um instante
quando vi o clarão que a anunciava
e senti acelerar meu coração de repente,
arrepiar-me os pelos,
e senti
tudo o que é bom e ruim para se sentir
senti-me água, raio
senti-me ar, terra
senti-me vivo
como há muito já não era.

Era a natureza que se punha em marcha
a molhar - me olhar
como só uma tempestade podia fazer.



(Lune)

Nenhum comentário:

Postar um comentário